Publicado em: Cidade
16 jun 2009Deixamos o Morro da Igreja para trás e caímos na estrada, rumo à Serra do Corvo Branco. Ô estradinha ruim! Mas deveria haver uma bela recompensa lá no topo! Tadinho do meu carro, mas o pior ainda estava por vir, eu nem imaginava (ou desejava). Estrada de terra, não tem que se esperar conforto mesmo. Avistamos lá longe um trajeto mais íngreme. Era a passagem para descer a serra.
Surpresa ao chegar na entrada do desfiladeiro: neblina densa! Não se avistava nada além de poucos metros. Que contraste! Sol nas costas e à frente, breu total. Quem chegava, já parava, indecisos sobre ir ou não adiante. Os que tinham vindo lá de baixo avisavam: a lama é muita.

Neblina no desfiladeiro da Corvo Branco...

Passagem liberada, até certo ponto...

Topo da Serra Corvo Branco
Descer para Grão-Pará? Voltar à Urubici pela estradinha mais ou menos péssima? Venceu a primeira opção. O desconhecido parecia menos ruim. Bobinhos! A neblina dissipou-se um pouco, permitindo observar todo o desfiladeiro, mas nada além dele. Um lanche, algumas fotos e lá fomos nós. As primeiras curvas, ainda pavimentadas, e tudo certo. O trecho sem asfalto deu os primeiros sinais do que vinha pela frente: adrenalina, aquele ¨medinho¨, mas todos com fé…Há quem tenha pensado na vida, e do porquê de se estar lá. Depois do primeiro solavanco, também pensei em algum santo.
Trajeto off-road, na verdade. Era o batismo da Escapade, por assim dizer. Vai devagar, vai devagar, todos pensavam. Alguns, mais doidos, subiam. Demos passagem. Um caminhão surgiu. Não um caminhãozinho. Um Mercedes trucado. Bicho doido mesmo. Querer subir lá naquelas condições. Tentou, tentou, e nada. Aquele impasse…ele não subia, nós não descíamos. Alguém tem que ceder. O caminhão recuou, nós passamos. Aleluia. Seguimos até ao pé da serra, já sob menor tensão.
Não fosse o denso nevoeiro, teríamos com certeza parado para uma seção de fotos, pois o cenário ali é um dos mais belos do roteiro. Fizemos um pit stop adiante, à beira de um rio, já com uma boa visão da região. Deu até para ¨pegar emprestadas¨ umas laranjas, ali pertinho. Rumamos à Grão-Pará (mais cabível seria Micro-Pará) e, depois, Braço do Norte. Opa! O GPS (eu) errei o caminho. Voltamos um pouco. E claro que ouvi vários nhecos-nhecos. Quem mandou ser o guia!
Seguindo: São Ludgero, Orleans…Bateu uma fominha e achamos uma padaria aberta. Matada a fome, nosso próximo destino era Lauro Müller, a cidade-sede da Serra do Rio do Rastro. Coisa de cinema. É o cartão postal. Até na metade, o caminho estava bem visível. Porém, nos quilômetros finais, uma densa neblina – nuvens, na verdade – teria que ser atravessada. Vez por outra (só a cada 10 segundos) uma voz ecoava no Talk About: Tudo bem aí? Que tão fazendo? Viu a placa lá? Falta muito? Ah, esses novatos!

O grupo e A VOZ (de vermelho, ao centro)
Fizemos algumas paradas estratégicas para sentir, respirar, contemplar…Fotografando tudo, óbvio. Uma profusão de câmeras digitais. Chegando à curva final, as nuvens ficaram para trás e o sol voltou a brilhar. Próxima parada: o mirante no alto da serra, à mais de 1460 metros.
O sol se pondo e nenhuma nuvem no horizonte. A visão do mirante? Normalmente, sem nevoeiro, avistaria-se todas as cidades que percorremos e até mais adiante, no litoral. Mas, como cenário, via-se somente brancas nuvens. Então, por que tanta gente se aglomerava no parapeito do mirante, olhando para baixo? Descobrirmos logo, logo, o motivo.
Um ¨quatiseiro¨, ou bando de quatis, como queiram. Fartavam-se com os pinhões jogados pelos turistas. Quem estava mais feliz ainda era o garoto que vendia os saquinhos com uma caneca de pinhões cozidos. Sociedade capitalista perfeita! Os bichinhos desfilando pelo barranco, com cara de ¨pidões¨….Era impossível resistir.

A festa do ¨quatiseiro¨
Para destoar do cenário, a tristeza de ver como nossos turistas se comportam: lixo! Os sacos vazios de pinhão, salgadinhos, latas. Estavam lá, compondo a paisagem. Um infeliz do local arriscava-se no barranco para catar a sujeira. Lamentável.
O sol dava adeus e pegamos a estrada novamente. Termômetro marcando 8, depois, 7, 6 graus…Seguimos novamente para Urubici, para fechar o circuito das serras. Daí em diante, seriam algumas horas descendo, descendo, descendo, até chegar no litoral. Silêncio. Cansaço. Pensava-se na cama quentinha a nos esperar (eu pelo menos). Mas todos tendo a satisfação de um dia bem vivido. E no Talk About: Vamos jantar aonde? Querem comer o que? A eterna fome a perseguir. Sonharia com aquela voz naquela noite.
Na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Corvo_Branco
quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P
Tem 3 pessoas discutindo o artigo "Caminhos das Serras – 2009, parte 2"
Sulivan
junho 16th, 2009 at 9:01 am
A Escapade foi batizada com estilo!
A Frontier também, será?
Deise
junho 16th, 2009 at 9:48 am
Dubi, espero que faças logo outros passeios, para que a gente possa “te” ler (sempre). Despojado, bem-humorado e super legal. Assim és tu! Beijos!
IM
junho 19th, 2009 at 12:11 pm
Digno de constar no “Herald Tribune” de Brusque!