Publicado em: Cidade
26 ago 2009Algumas palavras e expressões, comuns aqui na Terra dos Marrecos, soam estranhas aos forasteiros. Tem de tudo um pouco, mas sobrepõe-se as pronúncias incorretas, perpetuadas por gerações, pela ¨mistureba¨ entre o português e os dialetos trazidos pelos imigrantes, mas também pelas precárias condições de alfabetização que se tinha então. Confesso que algumas dessas ¨pérolas¨ eram ditas por mim, tal qual abaixo. Mas sempre há tempo para corrigir, embora alguns sejam incorrigíveis. Tais palavras, que me remetem à tempos idos, eram tão estranhas. Consultando hoje o dicionário, algumas delas estão lá, significando mais ou menos a mesma coisa. E há também, claro, os ditos populares. Esses sim, traduzindo a cultura (para alguns, a falta de) da amada terrinha.
Morrendo de fome: faminto, esfomeado. Segundo uma pessoa que já viajou por metade desse mundo, esse dito é praticamente uma expressão endêmica!
Tempos do Itla: para especificar a época de Hitler, ou Segunda Guerra. Muito comum por essas bandas os ¨causos¨ dos alemães.
Beneficiente: beneficente…mas o erro acabou institucionalizado, gravando-se na parede de um grande clube da cidade.
Ontonti: antes de ontem. Se ouve assim: ¨Ontonti fui pra cidade fazer compra¨ ou seja, fulana foi, antes de ontem, no supermercado.
Trabisseiro: travesseiro. ¨Tu qué um ou dois trabisseiros pra dormir?¨
Sinaleira: semáforo. ¨Deu uma batida na sinaleira do Arca”
Suêta: suéter, blusa de manga longa
Fófi: fósforos
Parteleira: Prateleira, lugar para por os pratos, utensílios, etc…Bendito R!
Tramela: taramela, peça de madeira que gira em torno de um prego para fechar a porta, porteira, portão.
Retrós: Achava estranho, mas é assim mesmo que se chama o carretel com linha para costurar. Ainda me lembro: ¨Vai lá na venda e compra um retrós dessa cor!” e lá ia eu com um pedacinho de pano e uns trocados.
E as comidas…e bebidas:
Pão da venda: pãozinho francês (em oposição ao pão ¨feito em casa¨)
Murcilha: a tal morcela que, uma vez visto como é feita, nunca se quer provei
Fato: dobradinha, idem ao tópico anterior.
Machuchu: também conhecido pela forma abreviada, chuchu.
Ximia: doce de ovos e açúcar, para comer com pão (caseiro ou ¨da venda¨).
Mús: corruptela de mousse, que na verdade eram as geléias feitas em casa, de banana, abóbora com côco, etc. Se dizia: ¨hoje só tem pão com mús” .
Gasosa: refrigerante barato, hoje mais conhecido como tubaína e afins. Uma ¨laranjinha¨ou ¨gasosinha¨ era um refri num recipiente bem pequeno.
Kisuco e Kapilé: acho que eram marcas de uso bastante comum…Kapilé era um xarope, ou groselha, diluído na água…todo aniversário de pobre tinha!
Kisuco era o pó para fazer suco…Se dizia: ¨hoje não tem kisuco?¨ Ou então: ¨Hoje tem kapilé de laranja!¨
Iorgute: custa colocar o R no lugar? Iogurte, com lactobacilos vivos…etc.
Surrasco: Churrasco, peloamordeDeus…
Mortandela: essa é clássica…as vezes escorrego. Meio quilo de Mortadela, por favor!
Roupa Velha: carne seca (charque) frita com ovos e cebolinha verde…Humm, bom.
Minestra: feijão cozido com macarrão…para alguns, feijão cozido com arroz.
Coruja: Calma, não é a ave. Rosca, feita de polvilho, não sei ao certo. Aqui na terrinha é apreciada com queijinho (nome nativo dado à ricota mole, mais chique).
Massinha: não é a brincadeira de jardim de infância. É um pão doce, coberto com farofa, algumas com creme de baunilha.
E as doenças…
Furunco: furúnculo
Berno: Berne
Trisa: icterícia
Gumitar: vomitar
E os bichos…
Jaguara: vira-latas
Bucica: cadela
Largato e largatixa: lagarto e lagartixa, colocando-se o R no devido lugar.
E as flores…e o jardim:
Gebra: gérbera
Antúlio: antúrio
Rabo de macaco: um tipo de samambaia
Rastel: rastelo
Geografia…
Vou pra baixo amanhã: ou seja, vou pra praia, pro litoral…
Alguns sobrenomes…
Kôla, Kêla: Koehler
Habistróita: Habitzreuter
Bítna: Buettner….Beltrano trabalha nos Bítna (Buettner S/A)…ouve-se muito isso.
Schlésa: Schlösser…Meu pai trabalhou trinta anos na Schlésa (Cia. Industrial Schlösser)
A relação de sobrenomes e ¨pronúncias¨ abrasileiradas vai longe…
E a lista geral apenas começou hoje…Assim como as Capitais Catarinenses, é possível ir se adicionando novas ¨velhas¨ palavras e expressões coloquiais, afim de preservar a língua viva (ainda que errada). Desde já agradeço as contribuições que tem chegado.
quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P
Tem 4 pessoas discutindo o artigo "Dialeto Brusquense"
im
agosto 28th, 2009 at 4:34 pm
O da “Ximia” aí é uma curruptela do alemão “Schmier” que claro quer dizer doce de frutas….quanto aos demais tenho uma certa familiaridade pois sou filho de “barriga verde”
:)
Rodrigo Kohler
setembro 20th, 2009 at 6:43 pm
cara q phoda… huahuauhauhuha… “a sinaleira do arca” matou a pau.. sou BruXquense e sei bem q isso td ai eh verdade, nossos avós, pessoas mais de idade ainda mantém esse tipo de linguagem, lembro-me das tardes q eu passava na casa da minha vó, no qual ela ía no “arca (Archer) buscar chimia e pão…” tem mt coisa q pode ser incluida, “os Kôla, os Kêla, os Habistróita”, “vou pra baixo amanhá” (praia).. parabéns ai pelo Blog.. êta terrinha… Abço
Joel
julho 20th, 2010 at 1:06 pm
Que tal o trinco da porta e também cai um tombo!!!!!
Mauricio
outubro 4th, 2010 at 2:13 pm
também tem aquela….
vai lá no ”bisteka” e compra isso e aquilo…..
Supermercados Bistek S.A…..
e a do ”airo” de bicicleta…. vlw….