Publicado em: Cidade
25 jul 2010Há alguns dias me deparei com um livrinho que prontamente me despertou o interesse ao ler o título: Itajahy na visão dos viajantes. A curiosidade por saber mais sobre nossas origens sempre me move. E o conteúdo dessa pequena obra me brindou com relatos interessantes, satisfazendo esse anseio de saber como que viviam, o porquê e como vieram para cá – Brusque e região – os desbravadores desse pedaço do Brasil.
O relato inicial, especialmente, conta com bastante fluidez uma verdadeira epopéia das famílias Pöpper, Bruns e Hort, sobrenomes bastante conhecidos aqui na cidade. Segue abaixo algumas curiosidades relatadas por Heinrich Pöpper, que viveu em Brusque parte da sua infância e juventude, e que mais tarde retornou à Alemanha:
Decepcionados com a vida na região Helmsted, a família Pöpper , entre os anos 1868 e 1869, mudou-se para o Brasil. O governo brasileiro incentivava a imigração na época, pagando a passagem, uma ajuda de custo, etc. Em Hamburgo, onde aguardavam a liberação e o embarque, conheceram as duas famílias que, como eles, decidiram emigrar: os Bruns e os Hort. Foram 91 dias de viagem entre Hamburgo e o porto da Barra, como chamavam os habitantes de Itajaí na época, a bordo do veleiro Humboldt. Tempestades, calmarias, sarna, piolhos, mortes…Foi uma viagem angustiante e sofrida.
Antes de partir da Alemanha, sabendo que do lado de cá nada encontrariam além das matas para desbravar, o Sr. Pöpper comprou muitos tecidos com sua reserva de dinheiro. Acreditava que poderia vender a mercadoria na nova colônia, rendendo um bom invesimento. Mal sabia ele que a “esperteza” brasileira os aguardava. Nos dias que esperaram em Itajaí para seguir a viagem final até Brusque, as 17 caixas com tecidos “sumiram” do galpão da alfândega. Anos mais tarde, já estabelecidos na colônia, comprariam os tecidos que eles mesmos trouxeram, pelo triplo do preço.
A viagem Rio Itajaí-Mirim acima foi outra aventura. Oito dias em uma balsa, puxada manualmente com cordas amarradas nas árvores da beirada do rio, para vencer a correnteza. Nos 55 quilômetros do trajeto da época, foram muitas pernoites em acampamentos, contando apenas com a hospitalidade de alguns poucos que já haviam se estabelecido. Se imaginarmos que hoje reclamamos quando demora-se mais de 30 minutos entre Brusque e Itajaí em função do trânsito, pode-se considerar isso um acinte, não é mesmo?
Os Pöpper e os Bruns foram agraciados com lotes localizados em Lajeado (hoje, Guabiruba), e os Hort foram para outra parte da colônia (possivelmente Cedro – Dom Joaquim). Com o passar dos anos e as muitas dificuldades, foram trocando de lotes e estabelecendo-se em outros pontos da colônia, adquirindo inclusive lotes abandonados por alguns colonos, que desistiam primariamente do Sul do Brasil.
A prosperidade alcançada pelos Pöpper, entretanto, propiciou que parte da família retornasse após algumas décadas para a Alemanha, adquirindo terras por lá. E em mais alguns anos, Heinrich Pöpper, o relator dessa história, que havia chegado em Brusque com menos de 10 anos, partiria também, já homem feito, casado, com sua esposa (uma Bruns, ora pois) para juntar-se aos demais familiares que haviam vivido nas terras ondem hoje moramos.
Nesses dias que antecedem a comemoração dos 150 anos da fundação de Brusque, relatos como o de Henrich Pöpper nos dão uma idéia de quão sofrida e trabalhosa foi a vida daqueles que se arriscaram pelos mares para aqui chegar e construir do nada uma região reconhecida como uma das mais prósperas do Sul.
Para saber mais: Itajahy na visão dos viajantes, de Saulo Adami e Tina Rosa, S&T Editores. Na Banca Jardim há alguns exemplares.
quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P
Tem 2 pessoas discutindo o artigo "Relatos dos viajantes"
IM
julho 26th, 2010 at 6:56 am
Pois é, muitos foram enganados nessa época, mas, infelizmente somos enganados até hoje. Acho que é pela origem vira-lata
:)
Tania Regina Winter Bartelt
julho 27th, 2010 at 12:47 pm
É a epoca da colonizaçào foi bem dura para os que aqui chegaram e desbravaram esta terra. “uma região reconhecida como uma das mais prósperas do Sul.”Aí entendemos como andando pelas ruas de nossa cidade, temos a sensação de estarmos na Bahia, só nos tocamos quando sentimos a falta do mar.