É comum, quando se fala em cinema nacional, alguém sempre levantar uma sobrancelha e soltar uma crítica negativa. Ao contrário da música, onde artistas brasileiros competem, digamos, em níveis semelhantes de popularidade com as melodias importadas, a Sétima Arte tupiniquim sofre para mover multidões e encantar o público.
Temos grandes atores e atrizes, mas não se consegue aproveitá-los para contar boas histórias no cinema. De vez em quando, porém, alguma novidade interessante surge. Foi o caso de Se eu fosse você nas suas duas edições. No entanto, se houvesse a pretensão de elencar 10 filmes brasileiros memoráveis, desde o ¨renascimento¨ ocorrido com Carlota Joaquina, da Carla Carmurati, na minha lista ainda teria lugares.
Existem algumas razões para esse vácuo: não ter assistido à tudo o que se produziu, por exemplo. A distribuição nem sempre chega pelos vales e buracos barrigas-verdes. Mas acho que a questão principal é o preconceito inerente. E é por isso que muitos filmes ainda poderão ser refutados. O que mais se escuta de quem não se abala para assistir algum título brasileiro: só mostram favelas, violência, pobreza….Eu incluiria ainda músicas com um cavaquinho. Sempre tem.
Voltando aos casos de sucesso, porém. Um filme visto nesse último final de semana: A Mulher Invisível. Com começo, meio e fim. Com pessoas, digamos, normais. Gente que trabalha, enfrenta trânsito, vai à restaurante, mora num edifício, ama, sofre por amor, deseja…Sem aqueles sambinhas, sem tiroteios, sem carnaval. E olha que o filme se passa no Rio! O Selton Mello (sempre ele), acompanhado de um bom elenco, consegue dar ritmo, arrancar sorrisos, entreter, enfim, o público. Que quer justamente isso: graça, fantasia, amores possíveis ou impossíveis, sonhar. Um cinema visível, pois.
Corri poucos riscos para ver esse filme. Assisti antes uma cena na internet, hilária. O trailer na tv também era atraente. O elenco idem. Mas tudo isso também poderia ter sido um engodo. Ok, não há escapatória: acho que assistir à um brasileiro sempre será algo empírico. Torcendo, no entanto, para dar certo. E salvar, com boas risadas ou comoção, o dinheiro e o tempo investidos.
quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P
Tem 3 pessoas discutindo o artigo "Cinema Visível"
IM
julho 15th, 2009 at 4:28 pm
Em terras tupiniquins, o que sobressai mesmo sao as “soup operas”. Por aqui, cinema de qualidade eh dificel, com algumas excessoes. Fazer cinema com alguma consistencia custa muito dinheiro e quem se arrisca a aplicar algum nas peliculas verde-amarelas? Algum candidato? Mas sejamos otimistas, as telas de nossos cinemas merecem boas obras e nossos olhos tambem.
Cristiano
julho 15th, 2009 at 6:24 pm
Esqueceu de citar a gostosa Luana Piovani no elenco…hehehee
Sulivan
julho 16th, 2009 at 1:14 pm
Eu acredito que não é uma questão de produção, de ter dinheiro ou não, por que 1 câmera faz cinema sim, e existem bons exemplos disso. Hitchcock é exemplo do que eu estou falando com vários filmes usando a técnica de “long shot”.
A motivo do fracasso do cinema nacional pode-se dividir em dois. Parte a ignorância dos espectador que não prestigia, mesmo quando está passando em uma sala perto. Ninguém vai investir em algo que não tem prestígio. E segundo, filmes de qualquer lugar contém violência, palavrões, favelas, sujeira e corrupção, isso não é motivo para não assistir os verde-amarelos, o que o brasileiro não quer é ouvir sua própria língua, ver suas próprias cidades, ver sua gente. Mas uma vez devido a cabeça pequena do espectador que tem vergonha de si próprio, que tem baixa auto-estima.
Brasileiro não quer foder, quer “fuck”. Não quer Favela da Rocinha/rio de Janeiro, quer sim Brooklin/Nova Yorque. Não que Skol, quer Budweiser.