TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS

Publicado em: Ensaios

6 mai 2010

Muito oportunamente recebi por email o artigo que segue. E já comprovei que a teoria abaixo nos acomete de diferentes modos, seja no trabalho ou onde moramos, e até mesmo nos relacionamentos. Talvez  até se possa relacionar a um Programa de 5 S´s, usado nas organizações como base para aperfeiçoar a qualidade no amplo sentido da palavra.
Vale a pena ler e se posicionar sobre o que estamos fazendo.

¨Artigo baseado no livro “Broken Windows” by James Q. Wilson and George L. Kelling¨

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura de uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em Psicologia Social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta. É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a ‘Teoria das Janelas Partidas’, a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas. Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujidade das estacões, ebriedade entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero. Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

A foto abaixo ilustra uma dessas ¨janelas partidas¨ do cotidiano. Um acidente, há 30 dias, demoliu o ponto de ônibus em frente de onde eu trabalho. Avisamos DER e Prefeitura sobre o perigo dos destroços à margem de uma rodovia. Nada foi feito, infelizmente. Apenas  mais um pequeno problema deixado de lado.

Já tem 30 dias que um acidente demoliu o ponto de ônibus em frente da empresa onde trabalho. Avisamos DER e Prefeitura, sem sucesso. Uma janela quebrada a mais, apenas.

Teoria das Janelas Quebradas na prática.

Gostou? Compartilhe!

Tem 7 pessoas discutindo o artigo "TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS"

Avatar

Cristiano

maio 9th, 2010 at 7:07 pm

Muito bom texto e muito interessante a Teoria das Janelas Partidas. Ah se nossos governantes a soubessem utilizar…

Avatar

IM

maio 10th, 2010 at 4:39 pm

Realmente interessante, fez-me lembrar do Prates la da RBS Floripa. Quantos pais por aí ao verem seus filhos cometerem pequenos delitos acham engraçado e riem. Depois quando adultos ao cometerem delitos graves se perguntam aonde erraram…
Fez-me também lembrar de nossa politica e nossos politicos e do brasileiro em geral que quer levar vantagem em tudo.

Avatar

Weyder Alon Silveira de Carvalho

maio 19th, 2010 at 12:39 am

Sempre muito relevante, fazer uma leitura desse nível com o que estamos vivendo na realidade. Agradeço a atenção. Weyder Alon.

Avatar

Sulivan

maio 24th, 2010 at 8:02 pm

Muito bom.
Na série A Fundação, de Isaac Asimov, o personagem principal desenvolve um método de prever o futuro baseado na psicologia social, ou seja, o indivíduo é imprevisivel por que sua personalidade é única, mas as massas são extremamente previsíveis, por que são 1 organismo, que vive e é documentado a milhares de anos. E conhecendo esse 1 indivíduo, reflexo da massa, é possível saber de ante-mão suas reações ao ambiente.
Prova disso é esse pensamento que você expos, a sociedade (governos e cidadãos) sabendo que um ponto de ônibus caído, leva a um poste quebrado, e depois um muro pixado, deveria agir imediantamente após o primeiro evento, evitando assim a fatídica conclusão dos seguintes, sabidamente vindouros.

Avatar

sergio antonio matos rodrigues

agosto 17th, 2010 at 5:21 pm

O texto descrito mostra a realidade do ser humano, quando avistamos um acidente de automóvel e não encontramos vitimas, ele passa a ser apenas um acidente sem importância e as vezes até nos decepcionamos, mas isso esta dentro do ser humano, infelizmente somos assim cheios de imperfeições, ranhuras no caráter. Se cada individuo se conscientizar da sua fraqueza e procurar reverter o processo, já esta dando o primeiro passo para mudar o seu mundo.

Avatar

Fernando

março 16th, 2011 at 11:29 am

A idéia do “impedir o primeiro passo” para evitar os seguintes é perfeita. Mas o texto também mostra exemplos em que, mesmo com toda a “corrupção social”, o simples ataque aos pequenos delitos consegue, de maneira satisfatória, coibir todos os demais. Ou seja, o “nosso erro” não é permanente… basta auto-análise e esforço para desfazê-lo. É uma mensagem de esperança, de fato.

Avatar

Milton

abril 8th, 2011 at 7:25 am

Achei ótimo o que descreve a teoria.A realidade nos mostra exatamente o que foi mencionado na mesma.Muitos de nós não estamos preocupados em melhorar e sim em continuar para ver onde vai dar.Me lembra daquela musica”eu nasci assim,eu creci assim, gabrielaaaaaa”Precisamos mudar,a cultura de imediatamente resolver e de manter,não é somente de um povo evoluido ,mas sim de todos os povos.

Comente aqui (please)

Quem sou eu?

quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P

Photostream

Atualizações

  • Simone Campos Galdino: Aos que apreciam um bom estabelecimento e tratamento vip, indico o Bar do Arantes. A comida é divin [...]
  • Euclides Bruschi: Eu já tinha conhecimento que o fundador que deu o nome a BRUSQUE era gaúcho de porto Alegre e filh [...]
  • IM: Rede de supermercados internacional com piso de cimento crú? Sem forro? Como diz minha cunhada, "é [...]
  • tania: oie! parabéns pelas fotos lindas! Tá certo que a paisagem ajuda hehe Mas quando fui para Foz fiqu [...]
  • ANTONIO S. DA SILVA: Boa noite, RENATO, você tá de brincadeira, tá debochando de nós o povo brasileiro, tenho 49 a [...]