Publicado em: História
13 set 2009Resgatei do baú uma relíquia da imprensa escrita. Dois exemplares da revista O CRUZEIRO, de 1974.

O ídolo da Seleção da época, ilustrando a capa
Há 35 anos, eis os grandes temas e preocupações:
- Na copa da Alemanha Ocidental, o Brasil perdia para a Holanda por 2 x 0. O Carrossel Holandês era a sensação do momento, mas perderia a final para os donos da casa.

Bi-campeonato da e na Alemanha
- Na Argentina, após a morte de Juan Domingo Perón, era conduzida ao cargo de presidenta sua esposa, Isabelita (ou seja, os argentinos vem de uma longa história de ¨casais¨ no poder, e os Kischner atuais só somam um capítulo a mais).
- Liz Taylor, então aos 42 anos, partia para o sexto casamento.
- Os 30 anos do desembarque da FEB – Força Expedicionária Brasileira – na Itália durante a Segunda Guerra.
- Criava-se o Ministério da Previdência Social, no governo Geisel, ¨para administrar as mais vultosas verbas do governo¨. (Ah, entendi. Em 74 criaram o monstro que engole bilhões de quem trabalha e produz, e cuja principal finalidade é perpetuar a maior injustiça institucionalizada que conheço: uma casta de funcionários públicos aposentados riquíssimos).
- Maria Alcina era a sensação musical naquele mês de julho de 1974.
- E por fim, entre outros temas abordados, uma coluna assinada pela imortal Raquel de Queiroz, cujo artigo chama-se ¨Milênio¨ e discorre sobre as preocupações e temores que o final do século XX, a se aproximar então, afligia a escritora. Alguns trechos curiosos:
¨Nós também vivemos num mundo despoliciado e incerto, onde tudo nos pode acontecer¨…¨As grandes cidades se transformaram numa selva crudelíssima, onde debalde os governos extenuam, procurando impor um mínimo de ordem e segurança. Mas não há polícia que possa conter os assassinos irresponsáveis do trânsito…a proliferação de quadrilhas que vivem do tóxico…Será tudo isso conseqüência da aproximação do milênio? Um profeta rústico…diz que é, e que chegando a era de 2000, começa para o mundo o tempo do Grande Horror”.
Não parece atualíssimo o tema? Se desconsiderarmos a data da revista, pareceria alguém comentando um arrastão na Bahia, ou uma bala perdida no Rio, ou um sequestro, ou, ou…
Agora, curiosos e interessantes são os anúncios da época:
- Linha Corcel 75, da Ford: ¨Esse é o carro, com a vantagem de não estar começando hoje¨.
- A novela ¨A barba azul¨ na Rede Tupi de Televisão, com Eva Wilma e Carlos Zara, patrocinada por OMO.
- Televisor a cores Telefunken: ¨faz o melhor televisor em cores porque sempre fez o melhor preto e branco¨
- Chevrolet Opala: ¨Sempre uma vantagem a mais¨.
- Minister, o sabor para quem sabe o que quer, da Souza Cruz.
- Viva em contato com a Natureza, da Maguary.

Corcel da cor do Céu...

Quantos corcéis, e cores, e versões

Para um carro mais chique, um anúncio mais simples
A revista era um dos veículos de comunicação dos Diários Associados, conglomerado fundado por Assis Chateaubriand nos idos de 1924. O grupo controlava diversos meios de comunicação escrita, falada e televisionada (TV Tupi, por exemplo). O exemplar – número 29, de 17 de julho de 1974 - época em que vigorava a censura. Nenhuma crítica, nenhum debate, e receitas de feijoada complementavam o conteúdo.
Em pleno regime ¨democrático¨ nos dias de hoje, alguns querem voltar a ter esse mesmo poder de censura. Vide a lei eleitoral em tramitação no Congresso, que pretende ¨disciplinar¨ a internet durante as eleições. Ah, tá bom então! Vamos voltar 35 ou 40 anos. Esse é o Brasil de todos…Só temos a lamentar o retrocesso.
quem souber responder essa pergunta, favor entrar em contato :P
Tem 3 pessoas discutindo o artigo "O Cruzeiro"
Deise
setembro 14th, 2009 at 9:43 am
Dubi, muito legal o artigo. Adorei!
7 aninhos na época.
Como o tempo passa!
IM
setembro 18th, 2009 at 3:41 pm
Recordar é viver!
Luciano Peixoto
março 27th, 2011 at 3:30 pm
O corcel é um dos carros que eu acho bonito dos anos 70 e 80!!!